As 9 Principais Dúvidas na Imobilização de Ativos
A imobilização de ativos é um processo essencial para qualquer empresa que deseja manter o controle patrimonial adequado e cumprir com as normas contábeis vigentes. No entanto, é comum surgirem diversas dúvidas no momento de definir o que deve ser imobilizado, como fazer esse registro corretamente e quais critérios devem ser observados.
Abaixo, reunimos as principais perguntas que recebemos ao longo dos projetos de avaliação e controle patrimonial. Se você atua nas áreas contábil, financeira ou patrimonial, este conteúdo é para você.
1. Toda manutenção deve ser imobilizada?
Não. A regra geral é que manutenções rotineiras e corretivas (como trocas de peças, ajustes e reparos) devem ser lançadas como despesa no resultado do exercício.
Contudo, manutenções que aumentam a vida útil, capacidade ou produtividade do bem podem ser capitalizadas, ou seja, incorporadas ao valor contábil do ativo.
📌 Exemplo:
Uma reforma estrutural em um equipamento industrial que aumenta sua capacidade de produção pode ser imobilizada. Já a troca de óleo ou de uma correia desgastada, não.
2. Qual o valor mínimo para imobilização de um bem?
Não há um valor único definido por lei, mas a prática comum (e recomendada) é que a empresa adote uma política de capitalização com um valor mínimo.
💡 Exemplo prático:
Muitas empresas utilizam um limite mínimo de R$ 1.200,00 ou R$ 2.000,00, conforme o porte e política interna.
Bens abaixo desse valor podem ser tratados como despesa no momento da aquisição, mesmo que tenham vida útil superior a 1 ano.
3. Quais são as taxas de depreciação aplicáveis?
As taxas são estabelecidas pela Receita Federal na Instrução Normativa SRF nº 162/98, mas empresas podem adotar critérios diferentes com base em estudos técnicos. Abaixo algumas taxas comuns:
| Tipo de Bem | Vida Útil (anos) | Taxa de Depreciação Anual |
|---|---|---|
| Equipamentos de informática | 5 | 20% |
| Móveis e utensílios | 10 | 10% |
| Máquinas e equipamentos industriais | 10 | 10% |
| Veículos | 5 | 20% |
| Edificações | 25 | 4% |
✅ Lembre-se: a taxa contábil pode diferir da fiscal, desde que justificada tecnicamente.
4. Como saber se o ativo está registrado com o valor correto?
Existem três principais formas de análise:
- Verificação documental: cruzamento entre o valor contábil registrado e a nota fiscal de aquisição.
- Atualização monetária por laudo técnico: realizada por empresa especializada em avaliação patrimonial.
- Revisão da vida útil e valor residual: recomendada anualmente, conforme o CPC 27.
⚠️ O valor de um ativo pode estar superestimado (ex: manutenção embutida indevidamente) ou subestimado (ex: omissão de benfeitorias).
5. Quando um bem deve ser baixado do ativo imobilizado?
A baixa ocorre quando:
- O bem é vendido ou descartado;
- Está totalmente depreciado e sem condições de uso;
- Foi extraviado ou danificado irreversivelmente.
A baixa deve ser registrada na contabilidade e pode gerar ganho ou perda dependendo do valor de venda em comparação ao valor contábil líquido.
6. Imobilização em andamento: o que é e como tratar?
Trata-se de investimentos que ainda não estão prontos ou em uso, como obras em construção, instalação de equipamentos, etc. Devem ser contabilizados separadamente até sua conclusão, momento em que são transferidos ao ativo imobilizado e passam a ser depreciados.
7. Ativos alugados ou arrendados devem ser imobilizados?
- Arrendamento financeiro (leasing financeiro): sim, devem ser registrados como ativo com contrapartida em passivo.
- Arrendamento operacional (aluguel tradicional): não se imobiliza, apenas reconhece a despesa mensalmente.
A norma contábil CPC 06 (R2) trata desses casos em detalhes.
8. É preciso reavaliar ativos imobilizados?
A reavaliação não é obrigatória e foi até eliminada do padrão contábil brasileiro desde 2008, com a convergência ao IFRS.
Porém, a empresa pode contratar laudos técnicos de avaliação patrimonial para fins gerenciais, seguros, cisões, fusões ou adequação a normas internacionais.
9. Como tratar ativos doados, herdados ou sem nota fiscal?
É possível imobilizá-los com base em valor justo, desde que suportado por:
- Laudo de avaliação;
- Registro de entrada (em caso de doação);
- Aprovação da diretoria.
Conclusão
A correta imobilização de ativos é fundamental para a transparência contábil e gestão eficiente do patrimônio empresarial. Definir políticas claras, manter registros organizados e revisar periodicamente o imobilizado são práticas que evitam distorções e reduzem riscos de autuações fiscais.
Se sua empresa precisa de apoio técnico na revisão, avaliação ou controle patrimonial, procure consultorias especializadas com experiência no tema.
Fonte
Apollo Gestão

